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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Narayanan Krishnan: O herói que ajuda os desabrigados na Índia. Ele já serviu mais de 1,5 milhão de refeições aos pobres









  Herói é uma palavra muito forte, mas se encaixa perfeitamente em Narayanan Krishna, de 34 anos.

urante os últimos 12 anos, ele serviu mais de 1,5 milhões de refeições aos desabrigados da Índia, que são pessoas geralmente abandonadas por suas famílias, ou sofrem de doenças mentais ou são velhas demais para cuidarem de si.
  Em 2002, o jovem Narayanan Krishnan já era um chef premiado e trabalhava em um restaurante de alta classe para os prestigiados Taj Hotels, e estava perto de garantir um trabalho com outro hotel de 5 estrelas, na Suíça. Pouco antes de ir para a Europa, ele viajou para a sua cidade natal, Madurai, para visitar seus pais, e foi quando presenciou uma cena que mudou o curso de sua vida para sempre. "Eu vi um homemmuito velho comendo seu próprio excremento para se alimentar", disse Krishnan. "Isso realmente me magoou muito. Eu estava literalmente chocado por um segundo. Depois disso, eu comecei a alimentar o homem e decidi que isso é o que eu deveria fazer o resto da minha vida".
Embora fosse um brâmane - uma classe superior hindu - destinado a uma carreira de sucesso como chef, Narayanan decidiu desistir de tudo e dedicar sua vida a ajudar aqueles que não podiam ajudar a si mesmos.
Abalado pela cena que ele testemunhou em Madurai, ele largou o emprego em uma semana, convencido de que seu destino não era cozinhar pratos elaborados para os ricos e famosos, mas prover o sustento daqueles que mais precisavam. "Naquela noite eu pensei: o que estou fazendo? Estou vendendo um prato de arroz frito por dez dólares no meu hotel, aonde as pessoas vão e têm luxo, divertimento, alegria e diversão. Não vão lá pela fome. Eles comem apenas a metade e deixam o resto no prato. Isso foi uma faísca, uma poderosa faísca que eu tinha", disse o jovem chef.
Em 2003, Narayanan Krishnan fundou Akshaya Trust, uma organização sem fins lucrativos por meio da qual ele já fez mais de um milhão e meio de refeições para os desabrigados da Índia. O nome de sua organização vem do sânscrito e significa "imperecível", e foi escolhido para significar que a compaixão humana nunca deve deteriorar ou perecer. Além disso, de acordo com a mitologia hindu, a deusa Annapoorani usou sua tigela Akshaya para alimentar os famintos e o alimento nunca se esgotava.
O dia de Krishnan começa às 4 da manhã. Todos os dias, ele e sua equipe dirigem mais de 200 quilômetros em uma van doada, vasculhando cada canto e recanto de Madurai em busca de moradores de rua que precisam de uma refeição quente. Os pratos que ele prepara são simples, mas, seja com embalagens ou com apenas a mão, ele alimenta 400 "clientes" por dia. É frequente esse trabalho ter de acontecer em ambientes com temperaturas maiores de 37 ºC, e é difícil lidar com pessoas hostis e paranoicas, que sofrem de doenças mentais. Entretanto, estas condições problemáticas só fortalecem seu trabalho.
"O pânico, o sofrimento da fome humana é a força motriz minha e de meus membros da equipe da Akshaya", diz Narayanan. "Eu recebo essa energia do povo. Na comida que eu cozinho, o prazer que eu tenho vem dessa energia. Eu vejo a alma. Eu quero salvar meu povo". Além da comida, ele também carrega um pente, uma tesoura e navalha, e consegue fazer oito estilos de corte de cabelo diferentes para dar a seus clientes um pouco mais da dignidade que eles tanto necessitam.
O fornecimento de alimentos para centenas de pessoas todos os dias custa dinheiro e, de acordo com um relatório de 2010 pela CNN, as doações recebidas pelos patrocínios da Akshaya cobrem apenas 22 dias do mês. O resto ele subsidia com a renda mensal que ele recebe do aluguel da casa que seu avô lhe deu. Isso o deixa praticamente sem nenhum dinheiro para si, mas, felizmente, ele ainda pode contar com a ajuda financeira de seus pais.
"Eles tiveram um monte de dívidas, porque eles gastaram muito na minha educação", disse ele. "Eu disse a minha mãe: ‘Por favor, venha comigo para ver o que estou fazendo’. Depois de voltar para casa, minha mãe disse: 'Se você alimenta todas as pessoas, eu ficarei lá com você o resto da vida, eu vou alimentá-lo’. Eu estou vivendo para Akshaya, e meus pais estão cuidando de mim", finalizou.






Fonte: CNN Foto: Reprodução / Facebook

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